Receber a notícia de que um familiar foi preso em flagrante é uma das experiências mais desesperadoras que uma família pode vivenciar. No meio da angústia, o primeiro instinto da maioria das pessoas é buscar respostas rápidas na internet. E é exatamente nesse momento de vulnerabilidade que a desinformação se espalha.
Se você pesquisar nas redes sociais, não demorará muito para encontrar vídeos curtos de 30 segundos com advogados prometendo o seguinte: “Se o preso não passar por uma audiência de custódia em 24 horas, a prisão torna-se imediatamente ilegal e ele deve ser solto”.
Mas será que o processo penal na vida real, dentro dos fóruns de Tianguá, da região da Ibiapaba e dos tribunais do Ceará, funciona como um roteiro de internet? A resposta curta e direta é: Não.
Com a autoridade de quem atua diariamente na linha de frente do Direito Criminal e possui um acervo de mais de 1.400 processos, o Dr. Muriell Aguiar preparou este artigo para desmascarar os mitos da internet. Vamos explicar o que a lei realmente diz sobre o prazo da audiência de custódia, quais são as exceções válidas e por que basear a liberdade do seu familiar em “dicas de TikTok” é um erro fatal.
1. O Que é a Audiência de Custódia e o Prazo de 24 Horas
A Audiência de Custódia é uma das garantias fundamentais mais importantes do nosso sistema de justiça. Prevista no Pacto de San José da Costa Rica (do qual o Brasil é signatário) e posteriormente incorporada ao Código de Processo Penal (CPP), ela tem um objetivo muito claro: garantir que toda pessoa presa seja apresentada fisicamente a um juiz no menor tempo possível.
Durante essa audiência, o juiz, o promotor de justiça e o advogado de defesa avaliam três pontos cruciais:
- A legalidade da prisão (se houve flagrante forjado ou ilegal);
- Se o preso sofreu tortura ou maus-tratos por parte dos agentes de segurança;
- Se é necessário manter a pessoa presa (convertendo em Prisão Preventiva) ou se ela pode responder ao processo em liberdade (Liberdade Provisória com ou sem medidas cautelares).
A regra geral ditada pelo Artigo 310 do CPP determina que essa apresentação ao juiz deve ocorrer no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão.
2. O Mito da Ilegalidade Automática
É aqui que a internet engana as famílias. O senso comum e os vídeos virais sugerem que existe um “cronômetro mágico”. Se o relógio bater 24 horas e 1 minuto e a audiência não tiver acontecido, as portas da delegacia ou do presídio se abrem automaticamente.
Isso é uma inverdade perigosa. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificaram o entendimento de que o atraso na realização da audiência de custódia, por si só, não gera o relaxamento automático da prisão, desde que os motivos da prisão preventiva ainda estejam presentes e haja uma justificativa plausível para o atraso.
O Direito exige análise do caso concreto. Um juiz não vai soltar um suspeito de um crime grave apenas porque houve um atraso administrativo justificado. A defesa que entra com um pedido baseando-se apenas no relógio, sem analisar o contexto, costuma ter seu pedido negado na mesma hora.
3. As Exceções Legais: Quando o Atraso é Justificado?
O processo penal lida com a realidade das ruas, que nem sempre acompanha a teoria dos livros. Existem situações excepcionais, reconhecidas pelo Poder Judiciário, que justificam o adiamento do procedimento sem que isso torne a prisão irregular. O Dr. Muriell Aguiar destaca os cenários mais comuns:
A. Condições de Saúde e Internação Hospitalar Este é o exemplo mais clássico. Imagine que, durante a ocorrência policial ou acidente de trânsito, o autuado tenha sofrido ferimentos graves e precise ser encaminhado ao hospital para cirurgia ou observação médica. Nesse caso, a condição clínica da pessoa impossibilita o transporte e a apresentação ao fórum. O próprio Juízo registra essa situação nos autos. A prisão continua válida, e a audiência é postergada até que o preso receba alta médica e tenha condições físicas e mentais de participar do ato.
B. Força Maior e Logística em Regiões Remotas Em um país com dimensões continentais como o Brasil, muitas comarcas sofrem com falta de estrutura, ausência de escolta policial disponível no momento exato ou intempéries (estradas bloqueadas por chuvas na região serrana, por exemplo). Se o Estado comprova que houve um impedimento logístico real e de força maior, o atraso de algumas horas ou dias é tolerado pelos Tribunais Superiores.
C. Operações Complexas e Múltiplos Presos Em grandes operações policiais contra organizações criminosas, dezenas de pessoas podem ser presas simultaneamente. A estrutura do fórum muitas vezes não comporta a realização de 30 ou 40 audiências complexas no curto espaço de 24 horas.
4. A Importância da Defesa Técnica na Audiência de Custódia
A grande lição que a família deve aprender é: Direito não se resume a frases de efeito. Cada detalhe — um laudo médico, a ficha de antecedentes, a comprovação de residência fixa e de trabalho lícito — pode mudar completamente o rumo de uma prisão.
Se o seu familiar não passou por audiência de custódia no prazo, o advogado não deve fazer um escândalo vazio. A defesa estratégica age assim:
- Investiga o Motivo do Atraso: Foi por saúde? Foi negligência do Estado?
- Peticionamento Inteligente: Se o atraso for injustificado, pede-se o Relaxamento da Prisão por ilegalidade. Se o atraso for justificado (como no caso de internação), o advogado foca em pedir a Liberdade Provisória direto no papel, demonstrando ao juiz que, independentemente da audiência, o cliente não oferece risco à sociedade.
- Humanização do Preso: Na frente do juiz, o advogado especialista não lê a lei, ele conta a história do cliente. Ele prova que o autuado tem laços na comunidade, carteira assinada e não vai fugir.
O escritório Muriell Aguiar Advocacia atua com excelência técnica para garantir que os direitos do cidadão sejam respeitados na comarca de Tianguá, filtrando as narrativas policiais e buscando a liberdade desde a primeira hora.
Não Entregue a Liberdade ao Achismo
A internet é excelente para democratizar a informação, mas péssima para resolver problemas complexos. Quando a liberdade e o futuro de um ente querido estão em jogo, apostar em tutoriais de redes sociais ou em teses genéricas de advogados inexperientes é um risco que você não pode correr.
A audiência de custódia é a sua primeira e melhor chance de voltar para casa. Ela exige técnica, análise documental profunda e uma postura combativa perante o juiz e o Ministério Público.
Se um familiar foi detido e você precisa de orientação real, sem falsas promessas e com base na lei atualizada, procure quem entende do assunto.Aja com responsabilidade. Entre em contato agora mesmo com a equipe do Dr. Muriell Aguiar para analisarmos as circunstâncias da prisão e montarmos a melhor estratégia de defesa em Tianguá e região.





