Depois do impacto de uma prisão em flagrante por suposta violência doméstica, vem a etapa mais determinante para o futuro imediato do acusado: a audiência de custódia. Em Tianguá e em toda a Serra da Ibiapaba, ela acontece em até 24 horas após a prisão, e é quando o juiz decide se a pessoa responde ao processo em liberdade ou permanece presa.
Para a família, o momento é cercado de mitos. Muitos acham que, por ser Lei Maria da Penha, a prisão é mantida automaticamente. Não é. A Constituição exige critérios rigorosos para manter alguém preso antes de qualquer condenação. O Dr. Muriell Aguiar, com atuação em Direito Penal e medidas protetivas, explica como o advogado atua nesse ponto crítico.
O que acontece na audiência de custódia
A audiência de custódia não julga se o acusado é culpado ou inocente. Isso será apurado ao longo do processo. Aqui, o objetivo é outro:
As decisões possíveis do juiz
Depois de ouvir o Ministério Público e a defesa, o juiz tem, basicamente, três caminhos:
- Relaxamento da prisão: quando a defesa demonstra ilegalidade no flagrante. O preso é solto imediatamente.
- Liberdade provisória: o acusado responde solto. No contexto de violência doméstica, quase sempre acompanhada de medidas protetivas, como afastamento do lar e proibição de contato, e, em alguns casos, tornozeleira.
- Conversão em prisão preventiva: a decisão que a defesa busca evitar, cabível apenas diante de risco real e concreto.
Quando a preventiva é decretada, ainda há caminhos: entenda como funciona a prisão preventiva e como conquistar a liberdade e, se a fiança entrar em cena, como ela funciona e o que fazer se não puder pagar.
Os fatores que pesam na decisão
A defesa combate o argumento genérico de "periculosidade" com fatos concretos. O juiz costuma considerar:
- Antecedentes: réus primários e de bons antecedentes têm chances bem maiores de liberdade.
- Vínculos com o distrito: residência fixa e trabalho lícito em Tianguá ou região reduzem o risco de fuga.
- Gravidade concreta do fato: uma discussão sem agressão pesa de forma diferente de um caso com lesões graves ou uso de arma.
O papel da família nas primeiras 24 horas
A família é o braço direito da defesa nesse prazo curto. Para tornar o pedido de liberdade robusto, providencie rapidamente: comprovante de residência atualizado, carteira de trabalho ou comprovantes de renda, certidões de nascimento dos filhos (para demonstrar dependência) e qualquer prova que contextualize os fatos (mensagens, áudios, vídeos). Entenda também o que fazer nas primeiras horas de um flagrante por violência doméstica.
A liberdade é a regra, a prisão é a exceção
Mesmo diante da tolerância zero à violência doméstica, ninguém deve ser mantido preso antes da hora sem necessidade real e comprovada. A audiência de custódia é a primeira e melhor oportunidade de corrigir injustiças. Se um familiar vai passar por ela em Tianguá, cada minuto conta, e a estratégia dessas 24 horas se reflete em todo o processo.
Perguntas frequentes
A prisão é automática em caso de Lei Maria da Penha?
Não. Mesmo na Lei Maria da Penha, a prisão preventiva depende de risco real e concreto, demonstrado com fatos. A regra é a liberdade, muitas vezes acompanhada de medidas protetivas. A prisão é a exceção.
O que o juiz decide na audiência de custódia?
Ele verifica a legalidade do flagrante, a integridade física do preso e decide sobre a liberdade. Pode relaxar a prisão (se ilegal), conceder liberdade provisória com medidas protetivas ou converter em prisão preventiva.
O que ajuda a conseguir a liberdade na custódia?
Ser primário e de bons antecedentes, comprovar residência fixa e trabalho na região e demonstrar que a gravidade concreta do fato não justifica a prisão. Documentos e provas que contextualizem os fatos são decisivos.
O que a família deve levar para a audiência?
Comprovante de residência, carteira de trabalho ou comprovantes de renda, certidões de nascimento dos filhos e qualquer prova que ajude a contextualizar os fatos, como mensagens e áudios. Reunir isso nas primeiras 24 horas faz diferença.
A audiência de custódia decide as próximas semanas.
Atuação urgente para buscar a liberdade nas primeiras 24 horas.
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